Foto: Divulgação | Arte: Brasília Blog

Liliane Roriz e seu único doador de campanha orquestram cenas de destruição

Destruir imagem é a nova regra do jogo político, não importando o método, a reputação de quem faz e, muito menos, os meios pelos quais se realiza.

De forma simplista, iconoclasta significa “quebrador de imagens”. São muitas as formas e os meios de se destruir uma imagem pública.

Um portal de notícias local, usando prerrogativa básica inerente ao meio — informar —, publicou áudios do ex-senador Gim Argello em conversas com a distrital Liliane Roriz, correligionários do PTB. Ela é conhecida pela habilidade de gravar parlamentares e colaboradores.

Se a conversa fosse no presídio da Papuda, em Brasília, ou no Complexo Médico Penal de Pinhais, na região metropolitana da Curitiba (PR), poderia, inclusive ser mais apropriada: duas figuras envolvidas em vantagens indevidas e sob suspeita jurídica, que não deveriam levantar certas bandeiras.

Gim, sempre lembrado como uma raposa política, é um especialista, que sabe usar bem os adjetos inerentes a um animal ardiloso. Afinal, Jesus usou o nome deste bicho para qualificar Herodes, quando quis impor a ele a traição, a fraude e o embuste.

O ex-senador, cujo nome de batismo é Jorge Afonso Argello, preso desde abril, foi condenado a 19 anos de prisão pelo juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sérgio Moro, por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e obstrução à investigação de organização criminosa.

Argello tem ainda no currículo o fato de ter cobrado R$ 5 milhões de cada empreiteira do cartel da Petrobrás para barrar a convocação dos executivos destas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da estatal.

Linha cruzada

Note-se, a grana dessa empreitada foi a mesma que entrou no partido controlado por outro ex-senador preso — Luiz Estevão — e retornou como doação para campanha eleitoral de Liliane Roriz em 2014. Mais de R$ 1 milhão. Sim, indiretamente, Gim foi o único doador da distrital. As conversas não parecem ser nada republicanas; esses áudios são suspeitos e devem ser investigados por viés ainda não visto.

Um presidiário, com tantos anos de reclusão a cumprir, e uma deputada — também envolvida nas tais emendas que ela mesma denuncia — não têm moral para delatar qualquer que seja a pessoa, usando meio pouco ortodoxo.

Semana da prisão

Uma semana antes de sua detenção, Argello e a distrital Liliane, em áudio gravado, conversaram abertamente sobre desafetos, príncipes e figuras políticas da cidade. Na mesma semana, antes de ter a prisão preventiva decretada pela Justiça, ele retirou todo o dinheiro que tinha no banco e em suas empresas.

Celina Leão

Sobre a presidente afastada da Câmara Legislativa, o ex-senador preso, usando uma linguagem típica do submundo do crime, comentava que Celina Leão (PPS) “tinha um esqueminha no Detran”. Até parece que Gim treinava o repertório que usaria uma semana depois no presídio de Curitiba.

Tadeu Filippelli

O vice-governador de Agnelo Queiroz (PT) e, próximo da família Roriz, Tadeu Filippelli (PMDB) foi lembrado na conversa, com alguns comentários cheios de maldades. Gim diz que o vice era “um puxa-saquinho e deu uma ‘facadinha’”. “Facadinha? Aquele ali nocauteou o meu pai”, defende Liliane, filha do ex-governador de Brasília, Joaquim Roriz.

Áudios e comentários que, inocentes, combinados ou não, destroem imagens construídas ao longo de uma vida. Questões jurídicas se resolvem na justiça, ninguém tem o direito de devassar e eviscerar a vida alheia, seja lá de quem for. Há, claramente, novos meios e métodos, que matam reputações, denigrem pessoas e destroem imagens.