Foto: José Cruz/Agência Senado

Ex-governador, derrotado no Espírito Santo, assume cargo no BRB

Dia 18 de novembro, Renato Casagrande, amigo de Rollemberg no PSB, comemora aniversário de Conselheiro Administrativo do BRB.

Rodrigo Rollemberg (PSB) abriu as portas de Brasília para empregar políticos “estrangeiros” que não conseguiram reeleição. Prática comum no auge da gestão petista, o indicado da vez é o ex-governador do Espírito Santo, José Renato Casagrande, nomeado Conselheiro  Administrativo no Banco de Brasília (BRB) em novembro de 2015. Ele foi derrotado na eleição de 2014, quando concorria ao Executivo capixaba.

Atualmente, Casagrande é secretário-geral do PSB nacional e integra a diretoria executiva da Fundação João Mangabeira, entidade ligada ao partido socialista. O fato é visto como mais um dos favores “republicanos” do mundo político, prática questionada por Rollemberg em campanha.

Claro, não fossem os 1,2 mil km que separam Brasília do Espírito Santo, cidade na qual Casagrande concorreu na última eleição, não se tratasse do secretário geral do partido do governador do DF e o indicado não representasse autoridade dentro do PSB, tudo seria facilmente explicado.  Ou seja: mais uma ação generosa de um governo que usa o BRB para acolher amigos.

A nomeação do ex-governador para o cargo aconteceu em novembro de 2015 e o salário varia entre R$12 e R$ 20 mil, mesmo trabalhando um único dia no mês. Embora comparecendo ao banco apenas 12 vezes por ano, as funções de um conselheiro são decisivas: ele atua nos critérios de participação dos empregados nos lucros do banco, aprova assinaturas de acordos, convênios, entre tantas outras. Emprego dos sonhos de muita gente.

dodf_18112015_a

Caso Roriz

Não por acaso, o aliado de Rollemberg, Renato Casagrande, foi personagem central na cassação do, então, senador do DF, Joaquim Roriz, no ano de 2007. Naquela ocasião, o conselheiro nomeado no BRB foi titular do Conselho de Ética do senado (2007), quando teve início a Operação Aquarela da PF, que investigou desvio de R$ 400 milhões do BRB por empresários do DF, São Paulo, Paraná e, do próprio, Espírito Santo.

Lava Jato

O nome de Casagrande apareceu nas planilhas da Odebrecht Infraestrutura, apreendidas pela Polícia Federal na 23ª fase da Operação Lava Jato. Não é possível, todavia, afirmar que se trata de doações legais de campanha ou feitas por meio de caixa 2, já que os documentos não detalham se os valores, de fato, foram repassados e pagos em forma de doação oficial.