Foto: Wesley Moura/Brasília Blog

Aparelho de tomografia escondido em corredor do hospital de base causa revolta

Escondido em um corredor, fechado por divisórias e sem porta, tomógrafo tem a capacidade de realizar quatro mil exames por mês.

Presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimento de Saúde de Brasília (SindSaúde), Marli Rodrigues, está neste momento com o deputado Welington Luiz, presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da saúde, juntamente com alguns delegados, no hospital de base. Ela está no local para apurar denúncias graves, feitas por servidores.

Um corredor, fechado por divisórias, sem porta, na área de Raio-X do HBB – Hospital de Base de Brasília, guarda um tesouro que é sonho de consumo de médicos e pacientes da rede publica de saúde. Trata-se de um tomógrafo, parado há um ano e meio, que deveria realizar cerca de quatro mil exames mês. O aparelho, contudo, está muito bem escondido.

Enquanto pacientes graves morrem sem diagnóstico, o tomógrafo, pronto para o uso, está parado há mais de ano, com contratos de manutenção e garantia já vencidos. Indignado, o presidente da CPI da Saúde desabafa que o caso é de “extrema gravidade. Até o momento o que se percebe é um total descaso e, talvez, um abandono proposital. Agora, tudo isso causa muita estranheza, sem dúvida, e nós vamos adotar providências”.

O descaso não tem fim. Por meio de memorando, servidores alertaram a direção sobre outro caso semelhante: a necessidade de manutenção do aparelho de ressonância magnética, que trabalha por meio de gás hélio. Segundo os técnicos, o aparelho emite alerta, informando o baixo nível do gás, que, caso continue em uso, danos permanentes no aparelho são dados como certo.

Não por acaso, a direção do hospital deixou de fazer a manutenção e ainda dobrou a carga da máquina, ignorando os alertas do aparelho e o aviso dos servidores. Caso o equipamento sofra danos, o reparo ficará mais caro que a compra de um novo.

Revoltada, a presidente do Sindsáude, Marli Rodrigues, mostra o aparelho escondido e desabafa. “Aqui no hospital de base, escondidinho, um tomógrafo que funciona, está guardado, enquanto pacientes em filas intermináveis e médicos que não conseguem fechar diagnóstico”.